A primeira década do Século XXI representou um período de retomada do crescimento econômico para o Brasil e para a América Latina. Influenciados pelas condições internacionais favoráveis, expansão do comércio internacional e valorização das commodities em virtude do crescimento chinês, esses países voltaram a crescer após duas décadas de estagnação. Concomitantemente, a ascensão ao poder de governos progressistas ocasionou a retomada de políticas públicas, como o fomento a políticas de desenvolvimento, a criação de novas políticas de transferência de renda, e a retomada de investimentos em infraestrutura e habitação. A retomada de investimentos públicos permitiu avanços na redução da pobreza e da desigualdade em vários países da região, conforme relato das agências multilaterais, fomentando impactos com alguma relevância no desenvolvimento urbano e regional. Contudo, a construção de um modelo de desenvolvimento mais inclusivo não prosperou. A agenda de reformas urbano-regionais, que seria parte central desse modelo, pouco avançou. Como explicar a perda de eficácia dessas políticas e o enfraquecimento dos governos que as conduziam com relativo sucesso até bem pouco tempo? A crise econômica mundial resultante do esgotamento do ciclo de crescimento do modelo financeiro-imobiliário dos países centrais e a diminuição do ritmo de crescimento da China acabaram por contaminar esse ciclo de desenvolvimento. A volta da recessão econômica e a necessidade de adaptação a essa nova realidade têm ocasionado a revisão de políticas e programas e a diminuição dos investimentos públicos, colocando em xeque os avanços obtidos pelo Brasil e a quase totalidade dos países lati