Demanda demográfica por moradias: um modelo para estimar o estoque e projetar a demanda por habitação

Eduardo Luiz Gonçalves Rios-Neto, Gustavo Henrique Naves Givisiez, Elzira Lúcia de Oliveira

Resumo


Não há dúvidas de que a propriedade de uma moradia faz parte do imaginário coletivo da população brasileira. A posse desse bem, entre os estratos populares e médios urbanas no Brasil, constituía um dos principais indicadores de ascensão social. Ainda hoje, a moradia revela o nível social das pessoas residentes, além de trazer consigo referências à independência pessoal, segurança financeira e a perspectiva da transferência do patrimônio para os descendentes.Na década de 70, um dos maiores desejos da classe média brasileira era adquirir uma moradia (JUNQUEIRA e VITA, 2002). Hoje a aquisição desse ativo ainda faz parte da lista de sonhos de uma parcela significativa da população brasileira, entretanto, atualmente tem perdido importância relativa para a educação, saúde e previdência privada. Esta perda de importância relativa não foi devido à realização do sonho da moradia pela população, mas, em grande parte, devido à deficiência destes serviços supridos pelo Estado. A demanda por residências hoje estaria mais dependente das etapas de ciclo de vida da classe média e pela reposição do estoque de moradias existentes. As classes menos privilegiadas ainda constituem a maior demanda imediata por residências (FJP, 2001) e a dificuldade dessa parcela da população em efetivar esta demanda está ligada à estrutura de renda destas classes, dificuldades de acesso aos financiamentos concedidos pelos programas oficiais e a inexistência de uma política habitacional efetiva.Este estudo estima, para o Brasil, as taxas de chefia de domicílios no período de 1970 a 2000 e, a partir destas, os fluxos de entradas e saídas de domicílios e o estoque de moradias, segundo o sexo e categorias de renda domiciliar. Em uma segunda etapa, os fluxos e os estoques são projetados por meio da tendência observada das taxas de chefia, de crescimento populacional e da variação da estrutura etária, no horizonte de 2000 a 2010.

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